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Domingo, Outubro 31, 2004
Epitáfio de Um Guerreiro e discussões sobre o problema
Aqui jaz um homem que lutou até o fim e no campo de batalha caiu.
Para a história entrou depois que da vida saiu.
Não foi primeiro e acredito que não será o último, mas não será inútil a morte de Serginho. O que pode acontecer é uma revolução na segurança em locais de aglomeração pública.
Aqui no Paraná já existe uma lei relativa à colocação de desfibriladores em locais de aglomeração pública. Existem tipos de desfibriladores bem fáceis de operar e que requerem um curso bastante simples para capacitar operadores. O desfibrilador para leigos utiliza avisos que informam os ciclos de operação do produto. A idéia seria transformar a lei em nacional, tornando útil em emergências e salvando vidas.
No futebol, o importante seria que os clubes passassem a fazer acompanhamento cardíaco dos jogadores, para previnir maiores problemas. Aqui no Brasil, apenas cinco clubes o faz. Num deles, o Atlético Paranaense, foi diagnosticado uma arritmia cardíaca no volante Alan Bahia, que teve o problema corrigido com uma cirurgia simples. Se o problema não tivesse sido diagnosticado, o jogador de marcação correria o risco de virar mais uma triste história.
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LEONARDO BONASSOLI @10:23 >
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Sábado, Outubro 23, 2004
Um dia na história (ou ainda: interditem todos os estádios)
22 de outubro de 2004 irá entrar para a história dos pedaços de plástico e de papelão, pois neste dia eles passaram a ter o mesmo direito dos rojões, dos copos cheios e das garrafas. Neste dia, as pessoas de mira ruim foram igualadas às de mira telescópica, porém ainda não se igualou o direito dos homens da margem esquerda do Rio Paranapanema aos dos homens da margem direita deste mesmo rio. Pois para o STJD, objetos atirados em latitudes maiores que 25° S são piores que os atirados em latitudes maiores. Talvez seja a inclinação da Terra.
Na terra dos Alquimistas (Alckmistas?), um rojão caiu perto de um jogador e, por sorte (do jogador), não explodiu. O clube do litoral perde um mando de jogo. Tempos depois, no mesmo local, uma garrafa foi acertada num treinador e as câmeras não pegaram, mas com as câmeras filmando um copo cheio d'água feriu o treinador. O clube do litoral pegou um jogo, aumentado para dois por conta da reincidência. Eles chiaram barbaridade, diria um cronista daquela região e começaram a mexer os pauzinhos. Este mesmo clube, viu moedas sendo atiradas contra um goleiro adversário e rojões atingindo a toalha dele, que ficou em chamas.
Bem ao norte, um rojão foi atirado contra a torcida adversária, ferindo torcedores. O clube perde um mando de jogo, mas conseguiu efeito suspensivo e continua jogando em seu estádio aguardando novo julgamento.
Um clube da antiga capital do país (a última antes da atual), teve um objeto atirado em campo e acertando o alvo, mas foi absolvido por ter apresentado boletins de ocorrência mostrando ter tomado providências. Posteriormente, ocorreu outro evento no estádio e o clube perdeu um mando.
Já nas plagas araucáreas, objetos foram atirados em cmapo, como em todo estádio da nação, não acertou ninguém. O clube em questão não permite entrada de rojões e garrafas e não permite a venda d'água em copos rígidos, além de deixar avisos alertando para não atirar objetos e além do mais, identificou elementos jogando objetos e os entregou à polícia. Porém, um "programa" de TV apresentado por um torcedor de um clube envolvido nos parágrafos anteriores, cujo apresentador é notoriamente conhecido por incitar violência dentro de campo (ele não solta um "pau nele" de vez em quando?) resolveu fazer um escarcéu telefonando no ar para o presidente do STJD e mostrando as cenas dos objetos caindo, sendo que a cena de frente foi uma agressão do goleiro visitante contra um dos jogadores símbolo do clube da casa (e nada foi feito com este goleiro no sentido de punição). Nenhum objeto acertou ninguém, porém o clube perdeu dois mandos de jogo, isto é, perdem-se mais mandos de jogo quão pior é a pontaria dos "torcedores", mesmo que estes sejam entregues à polícia e o clube faça campanha contra objetos em campo e utilize sistema de câmeras.
Está certo que é errado atirar objetos em campo e até irresponsável. Mas em todos, exceto os que a arquibancada fica à dezenas de metros do campo (daí, enxergar o campo é uma missão hercúlea), existem objetos sendo atirados, pois em toda massa há sempre meia dúzia de quatro ou cinco imbecis que não sabem viver em sociedade, não respeitam as regras e acabam por prejudicar toda a coletividade. Mas o que o STJD deveria ter em mente é a proporção dos objetos e o que o clube tentou fazer para impedir os acontecimentos e não a suposta força política deste ou daquele clube e a simpatia dos membros do STJD por ele.
Aliás, de acordo com o código disciplinar, os procuradores do STJD deveriam denunciar aconteciments como este, só que são tão incompetentes que presidentes de clubes os manipulam facilmente e produzem distorsões como estas.
A solução é simples: se a Arena da Baixada foi interditada, todos os estádios do Brasil também devem. A lei é para todos e não só para os clubes de fora do Eixo Rio-são Paulo. A Justiça Esportiva Brasileira está morta e em putrefação e esse cadáver já está fedendo demais.
Update: ao contrário do que foi noticiado, o Atlético pegou apenas uma partida.
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LEONARDO BONASSOLI @21:05 >
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Sábado, Outubro 16, 2004
Considerações sobre a Seleção Brasileira
Contra a Venezuela, a vitória não me convenceu. O time jogou o necessário para vencer uma equipe que partia para cima e tinha uma defesa montada à espanhola, o que facilita para os jogadores brasileiros. A defesa à espanhola é formada por zagueiros que jogam em linha, motivo que facilita jogadas em velocidade ou individuais, sendo que a última foi a maneira que o Brasil encontrou para vencer o time Vinho Tinto.
Já contra a Colômbia, a Seleção parou na falta de criatividade e de velocidade. Os jogadores tentaram resolver tudo sozinhos e o zero a zero foi o "prêmio" pela incompetência brasileira. Lamentaria o gol anulado se a equipe tivesse criado melhores tramas.
O que a Seleção Brasileira precisa é de juventude e de jogadores insinuantes que joguem pelos flancos, como Robinho e Dagoberto. Parreira quer utilizar meias externos, que use com competência então: Kléberson na direita e Roberto Carlos na esquerda, colocando algum jovem valor na lateral (Adriano do Coritiba?). Na direita, temos ainda mais alternativas como Cicinho (que é um lateral que sobe muito bem e poderia fazer esta função de externo) ou Fernandinho (um meia que tem jogado de ala e que se daria bem fazendo essa função híbrida).
Estar liderando as Eliminatórias não basta. É mais importante acertar o time para a Copa do Mundo e ir paliativamente renovando a seleção, dando um padrão de jogo condizente com a história do futebol brasileiro.
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LEONARDO BONASSOLI @21:16 >
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Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Leminski Pé Vermelho (texto Longo sim, é verdade)
Lamentáveis os ataques da banda podre da mídia do Eixo Rio-são Paulo contra as equipes de fora deste eixo. Não é a primeira vez e acredito que não será a última. A vítima da vez é o Atlético Paranaense.
Antes, sofreram ataques o Grêmio de Felipão (Violenta? Muitos esquecem que o Corinthians de Mário Sérgio, anos antes, tinha uma impressionante média de faltas cometidas e na época não se disse muito a respeito), o mesmo Atlético Paranaense (caso Ivens Mendes? O Dualib do Corinthians estaria tão envolvido e pouco se falou e depois foi provado que era uma farsa o caso que envolvia Mario Celso Petraglia), o Cruzeiro de 2003 (solenemente ignorado no princípio e extremamente agourado no fim da disputa) e todos os times que enfrentam especialmente o Corinthians neste campeonato (que mesmo enfrentando um time melhor colocado, a vinheta na programação da televisão diz: "O Corinthians correndo atrás de mais uma vitória na competição").
Quantos jogos passaram na televisão envolvendo Flamengo ou Corinthians nos últimos meses? E quantos jogos passaram envolvendo o líder do campeonato Atlético Paranaense (você provavelmente responderá que foram dois: contra Flamengo e contra Corinthians, pois o jogo que valia a liderança entre Atlético e Santos passou para pouquíssimos lugares, sequer passando em Curitiba, cidade do time visitante)?
Setores mais conscientes da sociedade já perceberam a intenção deslavada de flamenguizar e corintianizar a população brasileira e polarizar o futebol brasileiro de tal forma que voltasse a se restringir o esporte em dois pólos: Rio e São Paulo. Seria uma volta ao artificialismo dos anos 70, porém às avessas, já que naquela época se inchava o campeonato com times de locais em que o partido do governo ia mal. Agora, por meio do quarto poder, implanta-se maciçamente uma cultura de se ignorar em meios nacionais, manifestações futebolísticas de locais "novos-ricos" na economia nacional. Não entendeu? Eu explico melhor a partir do próximo parágrafo.
O futebol brasileiro é um reflexo das relações econômicas regionais e o arranjo destas forças costuma se repetir em campo. Na década de 50, o desenvolvimento industrial brasileiro privilegiou mais Rio de Janeiro e São Paulo e isso refletiu surgindo times mais fortes na região (o Santos seria quase uma exceção), tendo alguns lampejos dos times de outras regiões.
Na década de 70, apesar do inchaço institucional do campeonato, surgiram novos pólos futebolísticos no cenário nacional: Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estados que se industrializaram na época. Veja que Belo Horizonte é um caso interessante, pois é uma cidade relativamente jovem. Em 1978, um time do interior de São Paulo, região que crescia fantasticamente por causa da agricultura e agroindústria, ganhou o título nacional: o Guarani.
Na década de 80, apareceram times nordestinos (Bahia e Sport) e um time paranaense (Coritiba) como vencedores do certame, além dos gaúchos que se mantinham sólidos. No caso do Paraná, ressaltemos que foi um Estado que começou a crescer nos anos 60 e 70 e teve um forte representante no norte cafeicultor (o Londrina terceiro colocado em 1980) e dois fortes na capital que se industrializava (a dupla Atletiba).
Os anos 90 nos trouxeram os times do interior paulista e os gaúchos ganharam uma nova geração futebolística criando um jeito próprio de jogar futebol: a Escola Gaúcha. Seu maior ícone é Felipão. O estilo gaúcho é uma mescla do melhor estilo brasileiro (a técnica e o toque de bola) com o melhor do estilo platino (o voluntarismo de argentinos e uruguaios) e nesse caldeirão junta a inspiração e a expiração, extraídas de décadas de intercâmbios entre jogadores e treinadores do Rio Grande, Argentina e Uruguai. O Corinthians de Tite (discípulo de Felipão) joga futebol no estilo da Escola Gaúcha. Na década de 90, outros centros começaram a despontar definitivamente no apagar das luzes da década: o Paraná e o ABC Paulista, que passa a absorver mais riquezas que a capital. Nesta década começamos a ter sintomas da decadência do Rio de Janeiro, que desde 1960 não era a capital do país e desde da década passada entrou em convulsão social.
No início do século XXI, algumas surpresas para os desavisados: a primeira final do Brasileirão foi entre uma equipe do ABC Paulista, que era pouco conhecida, e uma equipe do Paraná, que já estava batendo na trave por um tempo e que se sagrou campeã. São Paulo começa a perder força com a queda de algumas equipes do interior e com a queda surpreendente de duas equipes da capital, sendo que uma, a Portuguesa ainda não retornou à Série A. O Rio de Janeiro deixou de buscar títulos e virou quase um saco de pancadas. Minas Gerais manteve-se forte. O Rio Grande do Sul ganhou definitivamente uma equipe forte no interior. Santa Catarina cresceu e despontou. Goiás ganhou a hegemonia da Região Centro-Oeste e briga por ela com Brasília. O Norte parece estar na mão do Pará. O Nordeste, da Bahia. O Sudeste vê a briga entre Minas e São Paulo. O Sul está quase despolarizado, porém com certa vantagem para Paraná e Rio Grande do Sul. Agora, sabe qual foi o último título Brasileiro dos times da cidade do Rio de Janeiro? 2000, Vasco da Gama. E de São Paulo? Corinthians, 1999. Engraçado que duas Metrópoles Nacionais não tiveram um clube gritando é campeão dentro de seus limites municipais neste século.
Mas por que há esta tentativa e repolarização do futebol? Temos duas questões principais: a técnica e a financeira, ligadas de maneira intrínseca.
A questão técnica é que a maioria absoluta das emissoras de TV, rádios e jornais de alcance nacional ainda estão no Rio ou em são Paulo. Tendo grandes clubes apenas na região, fica mais fácil cobrir o futebol da região e aplicar aos outros uma análise rasteira feita pela maioria da mídia da região, com honrosas exceções. É isto que chamo de ignorar os estados "novos-ricos". A questão financeira é que Rio e São Paulo são cidades próximas e a repolarização diminuiria os custos da cobertura.
Então surge aquela história de nuvem passageira, cavalo paraguaio, inventa-se supostos esquemas para botar o país inteiro contra os clubes de fora do eixo e por aí vai.
O Rio Grande do Sul já reagiu contra isso de maneira fantástica nos tempos do lendário Grêmio de Felipão. Lá, a maioria absoluta torce para os times locais e não consome muito da mídia do eixo. A televisão fica às moscas quando jogam os times de fora e há reclamação quando não passam jogos dos times da região na TV. Criou-se o costume de se levar a bandeira do estado para o estádio e de se unir quando um time local sofre ataques injustos da grande mídia. Há a identificação do "Ah! Eu sou Gaúcho!".
Mas aqui no Paraná? O que fazer? Estamos num estado jovem e miscigenado e que aparentemente não tem identidade cultural. Temos o fandango no litoral. Poderíamos gritar "Ah! Eu sou Caiçara!" Talvez, mas não abarcaria os interesses do interior. Há a mitologia do tropeiro. Muitas cidades paranaenses surgiram por causa deles, eles eram os pés-vermelhos, apelido que virou sinônimo de habitante do interior (usado muitas vezes de maneira pejorativa), mas que seria mais congruente: "Ah! Sou Pé Vermelho!". Poderíamos adotar esta identidade e levar este grito junto com bandeiras do estado e de bexigas brancas pedindo a purificação da mídia esportiva brasileira (essa idéia já existe, antes que me tomem como dono dela). Caso haja relutância quanto ao grito, poderíamos tomar como símbolo o escritor Paulo Leminski, cujo sobrenome tem uma sonoridade interessante, que remete à miscigenação do estado. Seria um tal de "Ah! Eu sou Lemisnki!" para cá e para lá.
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LEONARDO BONASSOLI @09:02 >
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Terça-feira, Outubro 12, 2004
Esquema?
Queria saber que droga estão tomando as pessoas que acham que tem esquema de arbitragem a favor do Atlético Paranaense. É uma tremenda alucinação que estão tendo. Não recomendo que, depois destas afirmações, saiam por aí dirigindo. Vai que pinta um elefante cor-de-rosa e uma batida em tal proboscídeo.
O esquema relamente começou... Vocês viram a maravilhosa atuação do Edílson "Michael Jackson" Soares? Adotou pesos diferentes para cartãos amarelos, amarelou jogadores em faltas inexistentes e inventou um pênalti espírita.
Inventou? Acho que não. Marinho realmente derrubou o jogador do Juventude. Foi num passe mediúnico em que o zagueiro do Furacão derrubou o jogador do Papo. Ele levou o chapéu, ficou de costas para o atacante e com a força da mente cometeu a falta com um deslocamento do ar resultante de seus poderes paranormais de fazer inveja ao Homem do Rá. O que Michael Jackson fez foi simplesmente captar as ondas cerebrais de Marinho e marcar a penalidade, que foi fundamental no empate em 3 a 3 entre Atlético e Juventude.
Se há esquema favorecendo o Furacão, eu deixo meu nome e passo a assinar Mary Poppins, pois poucos se lembram que muitos pontos já foram perdidos pelo Furacão por causa de arbitragens.
PS: Sou apenas eu que escrevo aqui?
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LEONARDO BONASSOLI @09:22 >
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Segunda-feira, Outubro 04, 2004
Miolo Duro
Qual o segredo do Atlético Paranaense? Contra-ataque? Velocidade? Dagoberto? Jadson? Washington? Sim, está certo, mas também tem outro ponto fundamental no Furacão: o miolo defensivo.
A estrutura defensiva formada por 5 jogadores tornou-se um aparato difícil de ser transposto pelos ataques adversários. Três zagueiros e dois volantes bem postados, marcando e carregando o piano para os virtuoses tocarem.
Os titulares da zaga são o clássico Marinho pela direita, o expansivo Rogério Corrêa pelo centro e o lateral de origem Marcão pela esquerda. No meio, temos o zagueiro de origem Fabiano e o implacável Alan Bahia.
O time subiu de produção no momento que começou a tomar menos gols e este núcleo defensivo se adensou. O ataque costuma funcionar. A armação nem sempre. Mas quando a defesa funciona, o ataque tem liberdade para trabalhar.
Quem o diga o Atlético Mineiro, duramente goleado por 5 a 0.
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LEONARDO BONASSOLI @13:13 >
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