Sábado, Dezembro 30, 2006
Giro de 30/12
Realmente em Curitiba (quase) tudo se encontra em distâncias desprezíveis. Depois de ter ido de manhã à Kyocera Arena, o indaiatubano Luiz Freitas se juntou a mim e assim saímos caçando estádios no anel central de Curitiba para tentar adentrar os recintos.
Se de manhã, Luiz obteve sucesso, à tarde, debaixo de canícula senegalesca (Credo! Fora o Pessôa, isso deve ter sido uma das primeiras vezes em que tal expressão é escrita nos últimos 50 anos), um bafo de verão às 2 da tarde, sol da uma, saímos em busca do primeiro alvo: o Couto Pereira.
Caminhada curta, pois estávamos quase no bairro do estádio. Bastou apenas subir duas ruas e lá estávamos, porém giramos o estádio sem conseguir entrar e quando encontramos alguém, o funcionário não se sensibilizou e mandou a gente voltar ano que vem. Sobre a área em volta, digo que teve diversas melhorias foram efetuadas com asfaltamento do estacionamento e uma churrascaria. Mas dentro não pude ver.
A parada seguinte foi uma descida de rua até a Vila Capanema. Fachada bonita na Dário Lopes dos Santos, mas fechada, demos volta na quadra e nenhuma viv'alma. Curioso que os tijolos de concreto da ala nova fazem um contraste estranho com o resto do estádio. E as únicas pessoas que vimos dentro, estavam longe com os cachorros e eram provavelmente caseiros. A comparação feita pelo meu companheiro de viagem: "parece um tanto o estádio do Paulista de Jundiaí". O máximo que foi visto foram nacos de campo pelos buracos do portão e por um furo no muro (repita alto na frente do computador "furo no muro" e sinta a acústica privilegiada de tal expressão).
Moral da história: em 30 de dezembro, eles não esperam a hora de o ano acabar e que 2007 venha logo. Então, para vocês, um feliz ano novo.
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LEONARDO BONASSOLI @22:15 >
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Sábado, Dezembro 23, 2006
O Mundo é dela, mas até agora nada...
O mundo é de Marta. Pela primeira vez uma jogadora brasileira é eleita a melhor do Mundo. E ela joga no futebol sueco. Aposto que ela gostaria de jogar por aqui se o nosso futebol feminino tivesse o mínimo da atenção que merece. Há anos, eu escrevo que precisamos de um Campeonato organizado, com estrutura profissional.
Dinheiro para a CBF começar a bancar o início não falta. Talentos com a bola no pé também não faltam. Alguma TV poderia apoiar fazendo a transmissão de algumas partidas. Alguns jogos poderiam ser preliminares de alguns jogos do Brasileirão ou dos Estaduais. Alguns clubes com mais estrutura teriam facilmente como fazer um time feminino, mesmo por meio de parcerias com outros clubes e/ou entidades.
O Brasil é medalha de prata nas Olimpíadas, só não foi ouro por conta de um dos erros de arbitragem mais escabrosos de todos os tempos. Um pênalti que até Steve Wonder veria não foi marcado na final de Atenas. Uma zagueira dos Estados Unidos mergulhou com a mão na bola e a árbitra nada marcou. Será que seria diferente se o pênalti tivesse sido marcado e o Brasil tivesse feito aquele gol que daria o ouro? (Avisa o Ubiratan do Balípodo que isso daria um ótimo ¿Se...¿) Lembrem que as meninas têm tido resultados ótimos há pelo menos 10 anos e isso sem muito apoio.
Sem esse apoio (quantas vezes a palavra ¿apoio¿ aparece neste texto?) mínimo, poderemos estar perdendo outras Martas, outras Roselis, outras Sissis, outras Pretinhas, outras Márcias Taffarel, outras Megs e por aí vai, entre alguns nomes que já desfilaram nos nossos gramados. As garotas que aqui jogam, treinam em sua maioria em clubes amadores (pois estes sim apóiam o esporte), tendo que trabalhar para se sustentar, podendo treinar apenas umas duas ou três vezes por semana. Mesmo assim, temos jogadoras que fazem frente à locais com futebol feminino profissional, como os Estados Unidos. É algo para se pensar.
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LEONARDO BONASSOLI @21:54 >
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Quinta-feira, Dezembro 21, 2006
Cry for me, Argentina
2006 foi o ano da decepção esportiva para os argentinos.
Começando pela Copa da Alemanha: o time de Pekerman, que para os hermanos já era praticamente o campeão depois da goleada de 6 a 0 frente a fraca Sérvia, foi eliminado nos pênaltis nas quartas de final contra a Alemanha. Injusto ou não, a eliminação teve um sabor amarguíssimo para os argentinos. O país inteiro compartilhava de um otimismo irresponsável que levou a uma tremenda decepção. A imagem de Cambiasso chorando após perder o pênalti foi uma das mais marcantes de 2006 aqui. Além disso ficou a lição: o goleiro da Alemanha tinha um papel indicando os prováveis lados que os argentos chutariam. Vamos estudar, chicos!
Os argentinos choraram todas as eliminações de todos os mundiais esportivos desse ano. A toda poderosa equipe de basquete de Ginóbili caiu na semifinal, já os tenistas perderam a Davis contra a Rússia, com direito a Maradona na torcida. No vôlei, um fracasso. No hockey de grama feminino, as famosas (tanto pelo talento e pelo uniforme curto) e antes campeãs "leonas" não repetiram o feito. Na Libertadores, nenhum argentino sequer nas semifinais, Estudiantes caiu nas quartas contra o São Paulo. Na fresca Copa Sulamericana, competição dominada pelos argentinos, a mesma coisa. Todos foram embora mais cedo. Para amargar mais ainda a seleção perde de 3 a 0 contra o Brasil num amistoso.
Para terminar o ano com mais lágrimas alvi-celestes, o Boca Juniors, equipe mais popular do país, perde um campeonato praticamente ganho. Com deslizes fatais nas últimas rodadas, o Boca não conseguiu o tri-campeonato tão almejado, feito que seu arqui-rival River Plate já conquistou por três vezes. Faltavam duas rodadas e o Boca tinha 4 pontos de vantagem, mas conseguiu fazer o mais difícil: perder o título. Boca e Estudiantes terminaram com 44 pontos. Como não havia critério de desempate como saldo de gols ou número de vitórias, o título foi disputado em um jogo extra. Ganhou o Estudiantes de La Plata, que contava com Verón e o técnico Simeone. Um jogo que o Boca começou ganhando mas deixou os pinchas de La Plata reverterem. Um título justo para uma equipe que lutou todo o campeonato e aproveitou muito bem o mal momento do Boca. Mal momento este que começou assim que os "bosteros" conquistaram a Recopa frente o São Paulo. O treinador Coco Basile, que havia ganhado todos os torneios que disputou, saiu para treinar a seleção dando lugar a La Volpe, o bigodudo que treinou o México na Copa. O novo técnico não teve tempo de impor seu estilo a equipe e com a perda do campeonato já foi destituído. Boatos dizem que deve treinar o Velez.
2006, um ano esquecível para nossos hermanos.
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TÚLIO PIRES BRAGANÇA @12:49 >
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Terça-feira, Dezembro 19, 2006
Homem Encaixotado - Rescaldos
Arquivos. Todos têm ou deveriam ter. Resolvi vasculhar os meus de coisas que escrevi há algum tempo e tornou realidade ou não. Vale a pena para ver que algumas coisas não são por acaso.
"Esse Dagoberto é uma aposta que eu faço de craque para a seleção brasileira para as próximas olimpíadas e pra próxima copa (2006)... " 07/03/2002 - Velho LabOffline.
Comentário: Errei. Não contava com as contusões do atleta em 2004 e com os imbróglios jurídicos de 2006. Além disso, posso ter acertado na parte olímpica, pois ele disputou o Pré-Olímpico em 2004, mas a Seleção não se classificou.
"Tirou jogadores de defesa e colocou os excelentes Beausejour e Valdívia, os nomes do jogo." 17/01/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: Pode-se considerar que eles não são tudo isso, mas o Valdívia tinha feito um bom papel na partida do Pré-Olímpico, prova que a contratação dele pelo Palmeiras, cerca de dois anos depois, teve algum embasamento.
"Cianorte e Caio Júnior - Mesmo fora da final, o time de Caio Júnior cumpriu um brilhante papel e tem boas chances de estar na próxima Copa do Brasil." 03/04/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: Aí está o time do Cianorte que assustou o Corinthians em 2005. Esse bom trabalho veio do ano anterior e a equipe do ano seguinte tinha como base a que foi semifinalista do Paranaense no ano de estréia.
"Além da técnica e da força física demonstrada, a visão de jogo e poder de decisão estão credenciando Ronaldinho Gaúcho ao status de craque. Ele e Kaká são os melhores jogadores brasileiros da atualidade. Ronaldinho Gaúcho ganhou experiência e é a espinha do Barcelona, ajudando o time na subida, já que começou mal a temporada." 16/05/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: É o lugar comum. Falta ao Ronaldinho Gaúcho algumas atuações condizentes com seus status na Seleção, mas falar isso chega a ser redundante.
"...eu ainda acho que Daniel (do Sevilha) deveria ter uma chance como titular na Seleção Brasileira." 31/07/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: Não achei o texto de 2003 que eu falava dele, mas esse de 2004 mostra que não é de ontem.
"Na zaga, Juan foi absoluto. Demonstrou um grande amadurecimento e muita segurança, podendo ganhar uma vaga de titular na Seleção titular." 31/07/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: na mosca!
"Estar liderando as Eliminatórias não basta. É mais importante acertar o time para a Copa do Mundo e ir paliativamente renovando a seleção, dando um padrão de jogo condizente com a história do futebol brasileiro." 16/10/2004 - Futebol e Fritas.
Comentário: Quando se aposta apenas na parte individual dos jogadores, corre-se o risco de ter um blecaute por conta de um mau dia de alguns atletas. Faltou padrão de jogo, quase dois anos depois.
"Agora eu questiono: para quê 3 centroavantes e nenhum jogador que jogue pelos flancos? Valeria a pena deixar o Luís Fabiano de fora e chamar um ponteiro como Robinho para servir de opção quando necessitar de utilizar o jogo pelos flancos.
Os adversários do Brasil costumam marcar muito pelo meio (vide Colômbia) e desta maneira não funciona o Futebol-Funil das últimas partidas." 31/10/2004 - De Primeira (minha estréia).
Comentário: Futebol-Funil!? Humpf... Pior que foi isso mesmo.
"Para o Corinthians dar certo, precisa reforçar-se de maneira consistente nas posições em que o time tem carências: lateral-esquerda, miolo de zaga e armação. O clube tem que tomar cuidado para não cair na tentação de contratar apenas jogadores de nome e fama. Esse foi o erro do Flamengo na época do ataque dos sonhos: fez um time caríssimo e não obteve retorno." - 04/12/2004 - De Primeira.
Comentário: Isso desembocou em 2006, apesar de ter dado certo resultado em 2005.
"Eu preferiria contratar vários jogadores para as posições de carência do time. Pelo impacto da contratação, Carlitos dará muito certo ou muito errado: não haverá meio-termo. É um bom jogador, mas há sempre o risco da não-adaptação." 04/12/2004 - De Primeira.
Comentário: Foi decisivo em 2005, mas desandou em 2006. Devia estar com a cabeça no 'Presunto do Oeste Unido' (tun-dun-dash!) ou qualquer outro destino.
"Revelou um bom jogador: Obina." 25/12/2004 - De Primeira
Comentário: aquele foi um bom ano do Obina, apesar do rebaixamento do Vitória.
Comentário geral: O Google me disse que, nessa época, torcedores do Santos morriam de amores por mim.
Comentário final: 2005 é meio próximo, por isso terminarei aqui em 2004.
Comentário atual: Parabéns ao Internacional, campeão do Mundo. Méritos para a diretoria que adotou uma postura mais pé no chão; para o Muricy, que montou o atual time; para o Abel, que administrou e aprimorou o time, dando características próprias para ele e armando uma arapuca para o Barcelona; para os jogadores, que deram o sangue para isso; e, finalmente, para a torcida colorada, que comprou a briga e ajudou o clube indo aos estádios e/ou se associando ao clube.
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LEONARDO BONASSOLI @00:55 >
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Sábado, Dezembro 09, 2006
Wishlist Parte 3 - Paraná Clube
2006 foi o ano do Paraná Clube. No começo não atraía muito a crença dos torcedores, mas a confiança surgiu ao passo em que o time crescia de produção, chegando a um título paranaense que não ganhava desde 1997. Na Sulamericana ficou na estréia frente ao Atlético. Já no Brasileiro, foi um ano histórico, com um quinto lugar que valeu a primeira Libertadores da história do clube, em 2007.
O que precisa o Paraná para 2007?
1- Não perder muitas peças do time atual (já perdeu Eltinho, Leonardo, Maicossuel, Sandro, Gustavo e Caio Júnior).
2- Se perder peças, reconstruir com peças de igual ou melhor qualidade que as que saíram.
3- Não fazer loucuras em contratações.
O Paraná sempre opera com dinheiro contado e luta por mais verbas do Clube dos 13. Com poucas verbas neste ano, foi competente e eficiente nas contratações: eis o segredo. Se mantiver a conduta, poderá fazer sucesso em 2007. Simples, até porque as contas do clube foram saneadas nos últimos anos.
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LEONARDO BONASSOLI @21:34 >
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Sábado, Dezembro 02, 2006
Wishlist Parte 2 - Coritiba
Semana passada, tinha dito que seria o Paraná Clube o segundo time da série wishlist. Resolvi mudar, pois o calendário de 2007 do Paraná seguia indefinido e muito muda se o clube tiver ou não uma vaga na Libertadores.
O ano de 2006 não pode ser considerado um ano para se esquecer para o Coritiba. Até porque se esquecer de 2006, os erros poderão ser repetidos. E os próprios erros apontam para soluções.
1- Briga pelo poder: isso desestabilizou o Coritiba, que ficou sem presidente definido no início do ano, devido a uma eleição controvertida e que agora volta a ser questionada na justiça.
2- Falta de planejamento para o ano todo: o Coritiba contratou dezenas de jogadores no início do ano, deixando dar a impressão de estar pensando no time para o ano inteiro e o que ocorreu foi uma debandada violenta no fim do Paranaense, tendo que se refazer um time desde o zero.
3- Arrogância: o presidente do clube dava certeza que o Coritiba iria subir, mas esqueceu de avisar os adversários.
4- Demora em mexer: a diretoria poderia ter sido mais rápida em tomar providências na série de jogos sem vitórias.
5- Quantidade <> Qualidade: optou-se pela contratação em quantidade ao invés da qualidade.
As soluções são relativamente simples:
1- Para a briga pelo poder, acaba sendo uma exceção, pois já extrapolou os corredores do clube, mas seria interessante adotar um projeto de clube, que dispõe objetivos a curto, a médio e a longo prazo para o clube. Esses objetivos seriam a meta para qualquer diretoria do clube e concentraria os esforços.
2- A solução 1 já resolveria parte do problema de planejamento. Outra parte seria definir um diretor de futebol e sua equipe, para que juntos com um novo treinador, pudessem definir o que o time atual precisa.
3- Humildade ajuda muito. Tem horas que é melhor ficar quiaeto a contar vantagem ou fazer fanfarronices.
4- Certas situações precisam ser mudadas imediatamente e essa é uma das qualidades de um grande líder.
5- Contratar com critério é a chave. Um exemplo foi o Paraná Clube deste ano. Se não tiver no mercado jogador de qualidade para uma certa posição, é bem melhor investir em jogadores das categorias de base que ficar trazendo qualquer um.
Para o elenco, o problema do Coritiba é o seguinte: muitos jogadores estão saindo e muitos deles são caros. O ideal seria montar uma base a partir de jogadores formados em casa e preencher as carências com jogadores escolhidos a dedo, sem excessos, até porque agora o Coxa terá dinheiro contado com a redução da verba de TV, isto é, terá que se virar como faz o Paraná Clube.
Na semana que vem - agora sim - falarei do Paraná Clube.
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LEONARDO BONASSOLI @23:44 >
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