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O Futebol e Fritas é uma criação de estudantes de Comunicação Social da UFPR, mesclando diversão com crônicas sobre futebol.

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Acerto no time vencedor: 2 pontos
Em casos de empates, todo empate não exato valerá 2 pontos.

Critérios de desempate: 1. Acertos de 5 pontos; 2. Acertos de 3 pontos; 3. Acertos de 2 pontos; 4. Desempenho na rodada imediatamente anterior, e em caso de igualdade, na rodada anterior a esta.
Domingo, Março 09, 2008

Didi - Arsene antes de Arsene

Arsene Wenger é conhecido pelo seu trabalho ao moldar jovens jogadores e transformá-los em equipes vencedoras. Com seu olho clínico, ele localiza promessas pelo mundo e faz com que elas venham a alinhar no Arsenal, que pode ser considerado hoje como o Anti-Milan, por ter poucos jogadores experientes e trabalhar tendo como referência, por exemplo, Francesc Fabregas, de apenas 20 anos e uma Copa do Mundo disputada no currículo.

Poucos sabem que Arsene Wenger tem um precursor brasileiro. Aliás, precursor, brasileiro e que é mais conhecido como craque brilhante que como treinador. Na verdade, precisei ler há alguns anos (uns cinco, para ser exato) o livro "De Letra" do Carlos Alberto Pessôa para conhecer a figura de Didi - o Gênio da Folha-Seca como treinador.

O time emblemático dele foi o River Plate (hoje seria impensável um brasileiro treinando um dos gigantes argentinos). Ele foi parar lá depois de treinar o Peru nas Eliminatórias da Copa de 1970 e despachar a Argentina na própria Argentina (é... a Colômbia de 1993 não era tão novidade assim). Chegando nos millonarios, sentiu hostilidade dos líderes e decidiu, com coragem, que não queria jogadores de mais idade no time, só garotos.

Eis que Didi saiu pelas categorias de base Argentina a dentro e saiu com dezenas de garotos promissores. Todos na casa dos 17 e 18 anos. "Joguem para mim", disse ele e aí começou a lendária passagem argentina do craque. Era 1971 e essa era "el equipo de Didi", de certo modo parecido com o Arsenal de hoje na forma da montagem da equipe.

Formar uma equipe jovem é coragem e Didi teve assim como Wenger está tendo. A vantagem que Didi falava era de que os jovens não têm as manias dos mais experientes e são mais facilmente moldáveis ao estilo de jogo que quer se implantar. Bingo, é assim que Arsene Wenger está fazendo e - em menor escala - Alex Ferguson começa a fazer no Manchester United com Anderson e Nani para substituir Scholes e Giggs, respectivamente.

E isso pode ter começado com "el equipo de Didi", tecnologia do Mercosul.
comentários por LEONARDO BONASSOLI @21:52 > Opiniões:


Sábado, Março 01, 2008

História nos Campos de Palmas

Ivo Ribeiro de Morais possui uma loja de artigos veterinários na cidade de Palmas, que fica no sul do Paraná - divisa com Santa Catarina - e é conhecida por ser a mais fria do estado. A cidade de quase 40 mil habitantes nunca chegou a ter um representante na elite do futebol paranaense. Ivo fez parte da iniciativa que mais perto chegou do feito. Ele foi um dos fundadores do Clube Esportivo Caxias no ano de 1974, que atualmente se encontra inativo. No final do ano passado, estive na cidade e troquei algumas idéias com o Sr. Ivo, como você confere nesta entrevista.

Futebol e Fritas: Qual o motivo de se fazer um time em Palmas naquele momento? Como surgiu o nome Caxias? Alguma homenagem ao Duque de Caxias? E as cores (azul celeste e branco)? Algum motivo especial?

Ivo Ribeiro de Morais: O objetivo do clube era transformar a vida da gurizada da cidade. era dar uma diretriz diferente para eles por meio do esporte. Na fundação, junto comigo, estavam, entre outros, dois filhos meus - Juarez e Édson Luís, pessoas da primeira diretoria, como Luís Paulo Leandro, Celso Luís Reis, Josemir Mazalotti e Josemar Mazalotti [irmãos gêmeos] e o João Luis Fedrigo - primeiro presidente do clube. O nome Caxias não é homenagem nem ao Duque, nem à cidade gaúcha. O nome não tem um motivo especial, assim como as cores do clube. Assim nós começamos a nossa caminhada no futebol amador da cidade, sendo inclusive pentacampeões municipais.

FF: Quer dizer que a cidade possuia mais clubes?

IRM: Sim, tinha uns dez times, alguns muitos bons, como o time do exército. Mesmo assim conseguíamos ser campeões em cima deles. E eles tinham muito mais privilégios, porque o grupo do Quartel era fechado, então não precisava ficar correndo atrás de atleta e a gente tinha que estar correndo atrás de um ou de outro para poder dar o seguimento. Nós fomos felizes, participamos do amador, depois passamos a participar do profissional, chegando a quase subir [no início da década], brigando pelo acesso com o Prudentópolis, que acabou subindo e ficando alguns anos na elite.

FF: A Prefeitura ajudava muito o Caxias?

IRM: Era pouca coisa. A Prefeitura ajudava com pouco. Com transporte, alguma coisinha pequena

FF: Algum jogador de algum destaque passou aqui pela cidade?

IRM: O Liminha, aquele que jogou no Atlético [década de 70], é filho daqui de Palmas.

Nos anos 80, um senhor de São Paulo veio vazer um trabalho aqui. Ficamos amigos, falamos de futebol e contei de um guri da cidade. Ele foi lá e viu jogar. Esse senhor era ligado ao São Paulo e afirmou que era só mandar o rapaz que ele iria jogar. Só que o rapaz não quis, pois estava fazendo faculdade e não queria trocar pelo futebol. Esse rapaz era bom e ia ser titular daquele São Paulo dos Menudos.

Nós vendemos - nesta década - um rapaz para o Paraná Clube, depois não sei o que deu dele. Ele se chamava Itamar e veio do Rio Grande do Sul. Levaram para lá e era bom, mas não se firmou. Era bonzinho, bom domínio de bola, habilidoso, depois passou pelo Maringá.

O Alexandre Pato [Pato Branco é perto de Palmas] jogou o Brasileirinho de Futsal por Palmas no futsal do MEC [Movimento Esporte Clube - time de futsal da cidade que disputou a Chave Ouro do Futsal Paranaense nas duas últimas temporadas] em uma época. Depois daqui, foi para o Inter.

FF: E o que levou o Caxias a parar?

IRM: Paramos por falta de incentivo, falta de vontade de continuar. A cidade cresceu bastante nos últimos anos, mas o esporte decaiu bastante, principalmente quando nós paramos. Agora só com um amadorzinho agora, muito fraquinho, não tem nada de divulgação, além do futsal, que acabou de parar. Também seria o ideal alguma grande empresa abraçar, mas o que falta mesmo é liderança, gente que tenha interesse de tocar o futebol, deixando o serviço por aí para cuidar dele, que foi o que eu fiz toda a vida. Eu sempre lidei com o futebol, com toda dedicação e todo o empenho, mas não vale a pena. As pessoas aqui só gostavam de criticar, dizendo que a gente não servia, mas quando paramos, parou tudo.

FF: O grande rival do Caxias foi o Tabu de Clevelândia (cidade vizinha). Curiosamente também parado. Fale um pouco desse rival.

IRM: O Tabu era o nosso forte adversário e nós tínhamos uma guerra com eles que quando jogávamos era do barulho. Foi outro clube que seguiu pelo mesmo caminho que o nosso: o Jaime parou e aí acabou o time e acabou tudo. Ele era goleiro e levava o Tabu nas costas. Era ele quem movimentava o clube.

* * *

Recentemente duas notícias relacionadas a futebol em Palmas. A primeira saiu numa coluna de um jornal de Curitiba e se relacionava a um time em Palmas jogar a Divisão de Palmas, notícia não confirmada. Outra saiu no site da FPF e falava a respeito de um clube da cidade chamado Vila Nova interessado em disputar os campeonatos estaduais nas categorias de base.
comentários por LEONARDO BONASSOLI @19:33 > Opiniões: